pois é, vez em quando acontece. a gente dá o que os outros não sabem como receber. a gente entrega (e se entrega) e o outro ali, com braço frágil demais pra carregar. às vezes o tudo-que-se-precisa-dizer fica preso na tentativa e a gente termina assim, sem palavra nenhuma nas mãos. com o silêncio ali entorpecendo todos os meus últimos meses, o que eu penso é: "eu inventei você". e quantos mais? a palavra que você me dá em pensamento não é sua, é minha.
então que é isso mesmo, você me cai do pedestal, você me mostra sua nudez terrivelmente frustrante (ou pior: você coloca nela o pior dos figurinos só mesmo pra que não me sobre nenhuma brecha possível), e eu te olho, enxergando pela primeira vez um homem qualquer de meia idade, gestos confusos, sorriso agradável, mas nada que vá muito além. eu me desperdiço inteira e, no fim das contas, percebo mesmo que não foi nada. outras e outras vezes, vou me preparar pra alguém e algumas muitas vezes vou ser mesmo desperdiçada, faz parte. enquanto isso: cervejas, iscas de frango, cachaça e batata frita. vou continuar (r)indo, apesar de. me recuso a pedir desculpas pelo peito aberto.
