Friday, 22 February 2013

coisas que só uma sexta-feira pode fazer por você



hoje gastei umas boas horas da minha vida fazendo uma das coisas que gosto mais: vagar por livrarias. acabei afundada numa poltrona, com livros sobre dadaísmo, schiele e francis bacon no colo, feito uma criancinha explorando as possibilidades dos brinquedos desconhecidos. confesso que de schiele e bacon eu já era mesmo fã, mas de dadaísmo conhecia pouquíssimo (tirando, obviamente, o famoso urinol do duchamp). resultado: me encantei.


 
 
 "Da-Dandy" (1919), de Hannah Höck



 
"O Rouxinol Chinês" (1920), de Max Ernst



frase de marcel duchamp.




[de resto: uma inspiração literária nascida de um cego adorável que encontrei no ônibus, uma bolsa linda comprada pela metade do preço e, pra fechar minha noite de sexta, caetano e novos baianos! coisa boa.]



Thursday, 21 February 2013

o amor e outros desastres



pois é, vez em quando acontece. a gente dá o que os outros não sabem como receber. a gente entrega (e se entrega) e o outro ali, com braço frágil demais pra carregar. às vezes o tudo-que-se-precisa-dizer fica preso na tentativa e a gente termina assim, sem palavra nenhuma nas mãos. com o silêncio ali entorpecendo todos os meus últimos meses, o que eu penso é: "eu inventei você". e quantos mais? a palavra que você me dá em pensamento não é sua, é minha. 

então que é isso mesmo, você me cai do pedestal, você me mostra sua nudez terrivelmente frustrante (ou pior: você coloca nela o pior dos figurinos só mesmo pra que não me sobre nenhuma brecha possível), e eu te olho, enxergando pela primeira vez um homem qualquer de meia idade, gestos confusos, sorriso agradável, mas nada que vá muito além. eu me desperdiço inteira e, no fim das contas, percebo mesmo que não foi nada. outras e outras vezes, vou me preparar pra alguém e algumas muitas vezes vou ser mesmo desperdiçada, faz parte. enquanto isso: cervejas, iscas de frango, cachaça e batata frita. vou continuar (r)indo, apesar de. me recuso a pedir desculpas pelo peito aberto. 























Monday, 18 February 2013

sobre os porquês:




não sei, não sei. sinto a necessidade de um espaço meu pra dizer os não-ditos de cada dia. espaço pros amores sem fim, pras pequenas meditações, os gritos embolotados na garganta do cotidiano. meu Entrelinhas funciona já há alguns anos, mas é espaço puro de prosa/poesia, nada que não seja escrita entre lá. também o Cinespasmo tem uma função específica. e o resto todo que me cerca (e me invade) acaba é não cabendo em lugar nenhum...

aqui, um pouco de tudo. aqui, palavra solta, trecho de livro, cena de filme, dança, música e uns alguns poréns. minhas reclamações desgovernadas, meu desequilíbrio, talvez uma tentativa de.

uma tentativa de algo que eu ainda não sei o que é. mas que vai indo... entre uns cafés e uns fatos, uns cafés com fatos, com cigarrinho do lado e música de fundo porque sim. é assim que a vida passa.